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Polemizando

Bolsonaro é um 'líder' fracassado

por Neison Cerqueira no dia 30 de de 2021 às 19:00
Foto: Alan Santos / PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se viu na obrigação de assumir, dentro de sua jornada enquanto Chefe de Estado, um B.O próprio: segurar as marimbas do Exército, Marinha e Aeronáutica. Depois de 36 anos, essa é a primeira vez que os três comandantes das Forças Armadas (FFAAs) deixam o cargo ao mesmo tempo, por questões políticas dentro das corporações.

Bolsonaro quer ter acesso e influência política dentro dos quartéis. O estopim foi a saída do então ministro da Defesa, general da reserva Fernando Azevedo e Silva. Alinhado com as ideias do presidente, Bolsonaro, então, nomeou para a pasta outro general da reserva: Walter Souza Braga Netto, que deixa o comando da Casa Civil. Dentre os comandantes que entregaram seus cargos, o do Exército, general Edson Pujol, não respeitou a ordem dada por Bolsonaro, que era falar publicamente contra a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que anulou as condenações do ex-presidente Lula no âmbito da Operação Lava Jato.

Pujol, no entanto, já havia deixado claro sua posição: militares não querem "fazer parte da política, muito menos deixar a política entrar nos quartéis". A declaração foi dada por ele em novembro do ano passado, dois dias depois de o presidente Jair Bolsonaro citar que, "quando acaba a saliva, tem que ter pólvora", para defender a Amazônia. O assunto teve repercussão imediata e desagradou a cúpula militar. Na ocasião, o vice-presidente Hamilton Morão, também general quatro estrelas da reserva, reforçou a posição de Pujol.

A audácia do presidente Bolsonaro em peitar os comandantes das FFAAs coloca o Brasil em evidência: há uma crise militar instalada. As tomadas de decisões errôneas do presidente, que prefere fazer politicagem ao invés de comprar vacina e trabalhar a economia para que o Brasil se recupere do caos, o coloca numa posição nada confortável: nas mãos do Centrão, o que mostra o presidente cada vez mais isolado. 

Não há de negar o desejo antigo do presidente em impor um período de opressão no país, o que em tese, é vivida de forma velada. Defensor da Ditadura Militar Oi Golpe de 64, como queira nomear, não há surpresa alguma, e caso isso venha acontecer, ficará apenas como desejo de um ex-militar e presidente frustrado. 

Ruindo cada vez mais, para aplicar um golpe, Bolsonaro precisa de condições e apoios objetivos como o da mídia e das Forças Armadas. O que era inimaginável há dois anos, hoje se comprova: o presidente está à deriva diante das escolhas que fez enquanto esteve com a caneta Bic nas mãos. Hoje, Bolsonaro luta pela sua sobrevivência no comando do país, o que não é novidade. Contra um possível impeachment por crimes de irresponsabilidades (se enumerar aqui quantos foram vou te cansar!), vendeu-se por muito, para valer pouco. 

Numa tentativa enlouquecida, há um consenso: apesar da forma extremista de agir, como são os ditadores, enfraquecido, Bolsonaro tende a radicalizar. Se antes era impossível, agora é a hora de colocar em prática o impeachment do presidente pelo bem da frágil democracia do Brasil. E antes que comentários infundados e acusatórios sejam postados, você, leitor, sabia que o deputado Major Vitor Hugo (PSL), apoiador do presidente, está tentando pautar um Projeto de Lei (PL) considerado flagrantemente inconstitucional? 

Não? 

Então, eu explico: se aprovada, a PL permitiria ao presidente convocar e mobilizar, até mesmo as Polícias Militares, para conduzir uma intervenção em todo o território nacional. Ou seja, Bolsonaro teria a possibilidade de ter um poder de guerra. Trocando em miúdos, a pressão de Bolsonaro é justamente para que se inicie uma aventura golpista. Dos dois um: ou Bolsonaro perdeu e perdeu feio ou terão o luxo de acomodar-se. 

E sendo assim, como um bom cidadão - não de bem, porque dá ojeriza classificar-se assim - o que se espera é que, na tentativa de dar um golpe e por honra à pátria, se assim o fizer, Bolsonaro tem que sair preso do Palácio do Planalto.

 

*Os artigos reproduzidos nesta coluna são conteúdos independentes neste espaço e não representam a opinião do Radar da Bahia.

 

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