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Crítica: perdida ou cautelosa? Diretoria do Bahia deixa torcedor com pulga atrás da orelha

por Neison Cerqueira no dia 25 de de 2021 às 17:20
Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

O torcedor do Bahia está atônito com o início da temporada 2021 do time, e não somente com o futebol que a equipe apresenta em campo, até porque não há nada de diferente do que foi visto no ano passado. A preocupação gira em torno das ações da Diretoria de Futebol do clube, no que que diz respeito a montagem do elenco, visando as competições mais importantes do time ao longo do ano - Copa do Brasil, Sul-Americana e Campeonato Brasileiro. 

E o torcedor tem razão: a equipe lutou até as últimas rodadas para não ser rabaixado. A temporada de 2020 deixou marcas até então incuráveis na massa azul, vermelha e branca: as eliminações nas Copas do Brasil e Sul-Americana, o título perdido para o Ceará, a conquista do famoso Tricampeonato Baiano e o quase-descenso à Série B. Ou seja, a diretoria conquistou mais ônus do que bônus ano passado.

Para 2021, a diretoria do Bahia prometeu uma repaginada, tanto interna, quanto no elenco. Para começar, trouxe Lucas Drubscky do Sport e Júnior Chávare do Atlético Mineiro. A ideia, segundo o presidente Guilherme Bellintani, é compor um departamento com pessoas para descentralizar decisões e não sobrecarregar um único profissional, como aconteceu com Diego Cerri, ex-executivo do clube. Junto com eles desembarcaram em Dias D'Ávila: os volante Pablo (Vila Nova), Jonas (sem clube) e Matheus Galdezanni (Coritiba), e os zagueiros Gérman Conte (Benfica) e Luiz Otávio* (Chapecoense). 

A projeção de receita da diretoria em 2021 é de R$ 171 milhões. Conforme balanço divulgado, o dirigente projeta que a equipe alcance as semifinais da Copa do Nordeste e a terceira fase da Copa do Brasil. Na Sul-Americana, a projeção é que a equipe chegue até as oitavas de final, o que daria um alívio aos cofres do clube, quando o Bahia embolsará US$ 500 mil (R$ 2,7 milhões) a mais. 

Se quiser receber engordar ainda mais os cofres do clube, no certame internacional, basta repetir os desempenhos de 2018 e 2020, quando chegou até as quartas de final da competição, garantindo mais US$ 600 mil (R$ 3,3 milhões). Além disso, há também a negociação envolvendo atletas. A diretoria prevê arrecadar R$ 25 milhões com negociações de atletas (Gregore foi vendido ao Inter Miami-EUA por R$ 16,2 na cotação da época, por 65% dos direitos econômicos do jogador; Thiago Andrade está em processo de negociação para o New York City, também dos EUA).

A montagem do elenco

O Bahia de 2021 é o mesmo de 2020. A defesa, que tomou 58 gols em 38 jogos no Campeonato Brasileiro se manteve: Lucas Fonseca e Juninho seguem formando a dupla de zaga titular. O Bahia não renovou com Ernando, mas manteve Anderson Martins. Já registrado no BIB da CBF, Conti tem figurado no banco de reservas, enquanto Luiz Otávio, apesar de treinar com o grupo, ainda não foi anunciado pelo clube. O goleiro Douglas, com atuações questionáveis desde 2020, segue titular, chova ou faça sol, e tem falhado corriqueiramente - isso quando não está no departamento médico. Para a posição, o Bahia trouxe Dênis Júnior, de 22 anos, do São Paulo. O critério? Vai saber...

A diretoria levou um balde de água fria do Ceará, que conseguiu contratar o zagueiro Messias, do América Mineiro. Bahia, América e Messias tinham um acordo costurado, mas o Ceará entrou forte na disputa pelo atleta, que venceu a concorrência: o Vovô comprou 50% dos direitos do atleta, com salário em torno de R$ 200 mil mensais, até 2023. O Bahia não cobriu a oferta por acreditar que não entraria em leilão pelo jogador. Logo após as tratativas frustradas, a direção declarou estar satisfeita com Conti e Luiz Otávio, e garantiu avaliar atletas da posição no Time de Transição. 

Bellintani já havia afirmado que o clube não faria contratações badaladas a exemplo da última temporada, quando trouxe Clayson, Juninho, Wanderson, Rossi e Rodriguinho. "O que vamos buscar é um elenco om perfil mais intenso, mais jovem, e menos estruturado em jogadores tarimbados ou que estejam com preço acima do que podemos pagar", disse o presidente. 

O Time de Transição e o Campeonato Baiano

Bellintani entendeu, aceitou e assumiu que errou ao manter Roger Machado em 2020 após fracasso no 2º turno do Brasileirão de 2019, quando um time sem repertório era visto em campo. A insistência, culminou na perda do título do Nordestão para o Ceará. Em 2021, pelo menos na prática, não aprendeu. Avalio que o mandatário repete o mesmo erro ao manter Cláudio Prates no comando do Time de Transição. Apresentando um futebol muito ruim, em sete jogos oficiais disputados na temporada (um pelo Nordestão e seis pelo Baianão), a equipe, que foi reforçada e deve ter folha maior que outros clubes que disputam o Baianão, só conquistou duas vitórias (venceu o Salgueiro e Doce Mel), perdeu para Juazeirense e UNIRB, e empatou com Vitória, Flu de Feira e Vitória da Conquista. São seis pontos, em seis jogos, correndo o risco de nem passar da primeira fase do certame estadual. Regularidade...

Perdidos ou cautelosos?

Nas redes sociais, os torcedores do Bahia têm cobrado melhor critério da diretoria na montagem do grupo para 2021. A crítica, claro, pesa em torno da não vinda de Messias. Apesar das reclamações, analiso o processo de forma racional: investir alto agora ou se arrepender depois? Sabe-se que toda contratação é uma aposta. Contrata, mas se vai dar certo ou não são outros quinhentos. Fato é que, a letargia e falta de ambição da diretoria em não só reformular, mas também fortalecer o elenco que fracassou em tudo o que disputou em 2020, faz com que a torcida fique com pulga atrás da orelha. 

A CBF definiu um limite de mudanças de técnicos para a competição deste ano. Com a nova determinação da entidade, cada time só poderá ter dois treinadores, enquanto cada profissional só poderá treinar apenas duas equipes. Bellintani, porém, votou contra essa medida. Indo contra a nova regra, por ser restritiva, entende-se que Bellintani pensa em fazer troca de treinador (colocando o trabalho de Dado em evidência?) na temporada ou o voto foi apenas uma forma de se opor ao novo modelo implantado pela entidade? Com a palavra o presidente...

O que será do time principal do Bahia em 2021? 

As repostas, em campo, têm sido iguais as do ano passado: a equipe oscila em momentos cruciais das competições e apesar de integrar o G4 do Nordestão, prioridade no primeiro semestre, o time em campo não passa confiança. E mesmo diante destes cenários, com a instabilidade entranhada no DNA de um elenco fracassado da temporada passada, talvez Bellintani esteja enxergando as situações - do elenco e do desempenho das equipes nas competições - com naturalidade.

 

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