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Polemizando

O Brasil perdeu pra basculho

por Neison Cerqueira no dia 19 de de 2021 às 18:20
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

Sem nenhum pudor, preciso iniciar esse texto com uma afirmação: o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido) é, sim, o maior responsável pelo caos sanitário que o País está vivendo. Colocaram uma criança de ego inflamado para governar o Estado. Todos os dias Bolsonaro dá um show diferente e irresponsavelmente, desdenha da morte de mais de 288 mil brasileiros. Não tem capacidade de governar, nem compaixão e muito menos respeito aos familiares que perderam seus entes queridos em meio a esse inferno. 

Nesse caso, a politicagem é mais importante. 

Criticar o lockdown parcial e o toque de recolher impostos por governadores e prefeitos para evitar a disseminação e contágio da doença, é caminhar de mãos dadas com o vírus, presidente. Mentir, como já é de praxe, faz parte de um plano negacionista e rotineiro: desde o início, a importância nunca foi salvar a vida dos brasileiros, presidente, mas sim de sustentar a postura de uma criança mimada que procura birra porque os pais não levam o velotró para o play ou então tira o leite condensado da boca. 

As ameaças infundadas, como a de decretar estado de sítio, é só cortina de fumaça para agradar eleitores, assim como jogou para eles as dúvidas sobre o número de leitos ocupados e estados com o SUS superlotados e/ou colapsados. De palco, presidente, o senhor entende perfeitamente bem. Com seus eleitores na plateia, é deles e somente por causa deles, que o senhor ouve o som dos aplausos. 

Irresponsáveis tão quanto o senhor, presidente, são aqueles que desacreditam da ciência para abraçar a ignorância, e pelo visto muitos fizeram escola por aí. Alguns, inclusive, foram reprovados. Nesse caso, é muito mais fácil acusar não aliados. O que o Congresso está esperando acontecer para reagir? Quantos mais precisarão morrer? O Brasil chegará aos 500 mil mortos por causa de uma política suja e ideológica? Será que estão esperando acontecer um golpe? A ver.

O desmonte quase que semestral do Ministério da Saúde, pasta importantíssima (ou que deveria ser) no enfrentamento à pandemia, tem que curvar-se aos seus anseios e defender o indefensável. A recusa e negacionismo com as vacinas, sabendo que partem delas o fio de esperança para que todos os brasileiros possam voltar a ter uma vida normal é inadmissível.

Agora, imagina só, se governadores e prefeitos tivessem a coragem de seguir o plano genocida do seu governo, presidente? Incitar aglomeração, criticar o uso de máscaras, colocar em cheque a importância da Organização Mundial de Saúde (OMS), ao afirmar que o órgão é o que "menos tem de ciência", já que "não acerta nada", agindo num vaivém o tempo todo", mentir sobre a cloroquina (e ivermectina, hidroxicloroquina, azitromicina), sabendo que diversos estudos no mundo já afirmaram que o medicamento não tem eficácia comprovada. 

Por que insiste, presidente? 

É muito difícil, presidente, para nós, jornalistas, ter que ficar diariamente trazendo suas falácias do passado para desmentir as do futuro. E só se repete. Todos os dias. Assim como ultimamente temos reportado mais de 2.500 em 24h e milhares de casos registrados. E o senhor, presidente, segue insistindo com o mesmo discurso vazio para tirar do seu colo a responsabilidade de voltar com os pagamentos do socorro destinado a trabalhadores que perderam suas rendas com a pandemia e mentindo sobre a decisão de autonomia dada a Estados e Municípios pelo STF. 

Até quando, presidente? 

E o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm)? O Saque Emergencial do FGTS em 2021? A equipe econômica do governo só serve para negociar pautas de interesses 'pessoais', como privatizações e liberação de emendas para eleger quem melhor se encaixa no perfil de 'excelente' marinheiro desse navio? Nós, presidente, já estamos à deriva. 

O momento, que deveria ser de solidariedade e consternação, mas principalmente de ação, onde nós, brasileiros, precisamos de vacinas, leitos de UTI e liderança, com maestria, é feito um jogo político de dar nojo. Insiste em colocar a economia na frente das vidas. "É negacionista, sigam-me os bons", deve pensar. A verdade é que no fundo, mas bem no fundo, todo mundo sabe que sua intenção nesse momento gravíssimo de pandemia, presidente, é seguir pelo caminho que já percorre há muito tempo, que é o do confronto. 

Tem gente morrendo na fila de regulação, aguardando vaga para internamento, mas não tem leito. Tem gente morrendo de fome, porque programas sociais não são liberados. Tem gente perdendo emprego por falta de auxílio e suporte da União. Tem gente morrendo também de angústia, e principalmente sufocado, presidente. Principalmente SUFOCADO! Até quando? Vendeu e vende discursos baratos para [tentar] justificar a inabilidade de estar no cargo que ocupa. E foi o Brasil quem perdeu 'pra' basculho!

*A coluna Polemizando é opininativa e não representa, necessariamente, a posição do Grupo Radar da Bahia.

 

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