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Polemizando

Pronunciamento de Lula mexe com as estribeiras de Bolsonaro, que usa máscara e defende vacinas

por Neison Cerqueira no dia 11 de de 2021 às 08:20
Foto: Adriano Machado / Reuters via Folha de S. Paulo

Supreendemente, horas depois do pronunciamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o alto escalão do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), uma mudança de postura e que sempre deveria ter existido, pegou todos que exigem desse governo uma gestão mais firme no combate à pandemia, em todas as áreas, de surpresa.

Em seu discurso e como um estadista, o ex-presidente Lula encurralou Bolsonaro sem precisar utilizar palavras chulas. O ex-presidente teceu críticas ao falho plano nacional do governo no combate à pandemia. Lula também criticou em seu discurso a prioridade de Bolsonaro à liberação da compra de armas. 

O ex-presidente também criticou a morosidade da atual gestão em relação ao mais necessitados e desempregados, que estão sem receber o Auxílio Emergencial, programa suspenso pelo governo e que está em discussão no Congresso. A vacina ou melhor, o projeto anti-vacina de Bolsonaro também foi duramente criticado: "Não siga nenhuma decisão imbecil do presidente da República ou do ministro da Saúde", disparou Lula.

A fala de Lula, abrindo ampla discussão para as Eleições 2022, e apesar do petista negar, deu uma chacoalhada no governo Bolsonaro e em seus aliados. Ao blog de Gerson Camarotti, do G1, um apoiador bolsonarista afirmou que “Lula foi para o ataque e deixou a família atordoada”. É, deu resultado.

De máscara - coisa que não fez nos últimos 36 compromissos oficiais -, Bolsonaro e sua comitiva, juntos e mantendo o distanciamento social, o tanto já criticado distanciamento social, resolveram seguir à risca o que os cientistas vêm insistindo há mais de um ano. As medidas de prevenção, já que não há medicamentos com eficácia comprovada para a cura da Covid-19, é o uso de máscaras, respeito ao distanciamento social e a proibição de fazer aglomerações para evitar a disseminação do vírus.

Tome nota

O presidente Bolsonaro usou máscara pela última vez em um evento oficial no 3 de fevereiro, em sessão solene de abertura do ano legislativo do Congresso.

No Palácio do Planalto, um evento do governo foi realizado para sancionar lei que acelera a compra de vacinas - quem diria. Já nas redes sociais, como sempre por elas, o "ZEROUM", mais conhecido como Flávio Bolsonaro (Repúblicanos-RJ), o senador, 'mudou a chave' e pediu para que seus seguidores compartilhassem uma foto de Bolsonaro com a inscrição “Nossa arma é a vacina”. Quem também reapareceu nas redes sociais foi o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), afirmando, erroneamente, que seu pai sempre defendeu a vacinação no país. O parlamentar disse que o pai "nunca foi contra vacina como dizem os canalhas". Como diz o meme: sentiu, e acrescento, mentiu.

Tome nota¹

1 - Após atrito com o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), Bolsonaro criticou a CoronaVac, classificando-a como a "vacina chinesa do Dória";

2 - Bolsonaro alfinetou Doria em agosto quando celebrou o acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Oxford para a produção da AstraZeneca. “E o que é mais importante nessa vacina, diferente daquela outra que um governador resolveu acertar com outro país, vem a tecnologia pra nós”, disse o presidente na ocasião; 

3 - Após o Ministério da Saúde anunciar a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, Bolsonaro disparou sobre o acordo: "Já mandei cancelar, o presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade"; 

4 - Em dezembro, Bolsonaro não acreditou na CoronaVac depois do resultado dos testes clínicos, que apontaram 50% de eficácia para casos leves: “A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população”.

5 - Recentemente, Bolsonaro cumprimentou apoiadores em meio a aglomeração no aeroporto de Uberlândia e reclamou da pressão pela compra de vacinas contra a covid-19. "Tem idiota que diz 'vai comprar vacina'. Só se for na casa da tua mãe". O chefe do Executivo, porém, mudou o discurso logo depois: "Alguns governadores queriam direito a comprar vacina e quem iria pagar? Eu! Onde tiver vacina para comprar, nós vamos comprar", garantiu. E mesmo o país ultrapassando a marca dos 260 mil mortos, o presidente também disse: "Estamos preocupados com mortes, sim, mas sem pânico. A vida continua”.

Outra mudança percebida em sua fala foi justamente sobre o uso de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da doença, como por exemplo a hidroxicloroquina, tanto defendida por Bolsonaro - chegou a oferecer para as emas do Planalto - e seus apoiadores. O choque de realidade com o ilusionismo adotado desde o ano passado com a 'gripezinha', por um momento, ao que parece, deve ter caído por terra - ou não. A ver. Enganar a si próprio ou jogar para seus apoiadores, mas fato é que medidas precisam ser tomadas. 

Ontem, por exemplo, o Brasil registrou 2.349 mil mortes por Covid-19 em 24 horas. Um ano depois de promover aglomerações, criticar prefeitos, governadores e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o que se espera de Jair Bolsonaro é uma postura nunca vista: a de Presidente da República Federativa do Brasil. Não tem como esquecer que ele negou o uso de máscaras, criticou e tocou o terror sobre o isolamento social e manteve o Ministério da Saúde longe das tratativas para ter 70 milhões de doses de vacinas da Pfizer. É impossível não criticar a condução do governo frente à pandemia. 

Erraram e infelizmente precisou que mais de 270 mil brasileiros morressem para que tenham caído na real, isso é, sendo bem confiante disso, porque se tem uma coisa que nós brasileiros temos é esperança por dias melhores. Não temos vacinas e empregos, faltam empatia, respeito e serenidade, e tudo isso trocado por um populismo vazio e uma politicagem barata.

Tenhamos fé.

 

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