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Política

E PODE? Planalto usa dinheiro público para monitorar aliados, governistas e jornalistas

por Neison Cerqueira no dia 20 de November de 2020 às 08:00
Foto: Pedro Ladeira / Folhapress

Com dinheiro público, o Palácio do Planalto monitorou as redes sociais de parlamentares de oposição e governistas e de jornalistas, com o objetivo de municiar diferentes órgãos do governo sobre o comportamento digital de deputados, senadores e da imprensa. 

De acordo com a coluna a ÉPOCA, uma série de relatórios foram produzidos sob encomenda da Secretaria de Governo (Segov) e da Secretaria de Comunicação (Secom) ao longo de fevereiro, março e abril deste ano — documentos que foram classificados como sigilosos, alegando tratar-se de um “trabalho autoral” da empresa contratada para tanto. 

Segundo a publicação, o governo está preocupado com cada detalhe do que parlamentares e jornalistas publicam nas redes sociais, com um propósito que segue obscuro. O monitoramento dos parlamentares é diário. 

O documento, que é intitulado Parlamentares em foco, foi enviado para Luiz Eduardo Ramos, Fabio Wajngarten e algumas poucas outras autoridades do Planalto. Ele é dividido em três eixos. Em um deles, “Debates dos usuários”, são monitoradas tendências das redes. Outro eixo traz o “Publicação dos parlamentares”, onde a Secom faz uma análise das postagens dos quatro deputados e senadores que mais publicaram no dia.

No dia 13 de março, o monitoramento anotou as críticas de Alexandre Frota a Bolsonaro por minimizar a Covid. No dia 9, o relatório destacou as postagens do petista Paulo Pimenta, com críticas a Bolsonaro e Moro. Já no dia 10 de março, o ponto foram as postagens de Kim Kataguiri, sobre uma reunião com Damares Alves e críticas ao MST. 

Conforme a publicação, o governo monitora, inclusive, manifestações prosaicas, como por exemplo, um trecho em que se destaca que o petista José Guimarães comemorou gol do Fortaleza ou que o bolsonarista José Medeiros parabenizou a mulher pelo aniversário.

A publicação traz ainda que em outro eixo, o “Aderência ao governo”, a análise da Secom é mais subjetiva. Nessa questão, debruça-se sobre o teor das postagens de parlamentares de oposição, de centro e da situação, classificando-os nesses três segmentos e dando uma conotação positiva, neutra ou negativa às publicações. 

Os conteúdos considerados negativos de parlamentares da base são listados, bem como o que for tido como positivo vindo dos de oposição. No dia 3 de março, o documento frisa os elogios da senadora Kátia Abreu ao Ministério da Saúde e a defesa de Sergio Moro, então ministro, pelo senador Jorge Kajuru, do Cidadania.

Os jornalistas também são alvos do "dossiê" do governo. O Monitoramento de redes sociais analisaram, em janeiro, o alcance de colunistas. A Secom comparou, sem razão ou motivo aparecente, o alcance dos perfis desta coluna e do jornalista Ricardo Noblat no Twitter com o de Jair Bolsonaro. Segundo a ÉPOCA, a Secom foi procurada, mas não se manifestou.

 

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