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Espiritualidade

A espiritualidade dos pequeninos

por Redação Radar da Bahia no dia 13 de September de 2020 às 14:00
Foto: Reprodução

Naquela ocasião Jesus disse: "Eu te louvo, Pai, Senhor dos céus e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e cultos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado." Todas as coisas me foram entregues por meu Pai. Ninguém conhece o Filho a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o quiser revelar. "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve" – Mateus 11.25-30

Jesus irrompe em uma oração de louvor ao seu Pai, que não se deixa aprisionar pelas elites, mas se revela aos pequeninos. “Sábios e cultos” eram os mestres das Escrituras Sagradas, aliados às elites sociais, políticas e econômicas. Numa sociedade estratificada, os “pequeninos” eram o “povo da terra”. Além da pobreza material e do trabalho extenuante para sobreviver, acrescia-se a discriminação social, a condenação moral e a exclusão religiosa. Diante de códigos religiosos e morais extremamente rígidos, feitos para favorecer as elites, os “os pequeninos” também eram “os pecadores”. Eles tinham uma sede espiritual profunda e tentavam de todas as formas serem acolhidos no seio religioso do seu povo. Sem êxito, desenvolviam uma religiosidade popular, marginal e precária, mas sempre sob o julgo da condenação, da dúvida e da culpa. Jesus subverte a ordem vigente e gera escândalo. Afirma que Deus é seu Pai e que, portanto, é ele quem conhece sua verdadeira vontade, e assevera: é justamente aos pequeninos, que não têm do que se envaidecer, já que não possuem pedigree social, econômico, moral e religioso, que Deus se revela.

A mensagem da Graça de Deus por Jesus anunciada é rejeitada e combatida pelas elites, mas acolhida com alegria pelos pequeninos. Há uma ironia na escolha do termo. A palavra traduzida por pequenino refere-se à criança que ainda não desenvolveu a capacidade de falar. Para sobreviver, esta criança depende exclusivamente da relação visceral que tem com seus pais, que não é mediada por uma comunicação verbal, mas pelo afeto. Àqueles “pequeninos da terra”, cansados e sobrecarregados pelo silenciamento opressor dos “sábios e cultos”, detentores da palavra e, portanto, do poder temporal, Jesus chama para desfrutar com ele de uma íntima relação de amor com seu Pai. A este povo “cansado e sobrecarregado”, Jesus faz um fascinante convite. “Venham a mim e encontrem descanso para as suas almas”. O verdadeiro mestre da vontade de Deus não impõe jugos pesados sobre os ombros existenciais dos pequeninos. Ao contrário, ele alivia os fardos.

O Pai segue esquivando-se das elites opressoras e se revelando às pessoas subjugadas. O convite de Jesus ao discipulado ainda hoje continua causando escândalo entre os elitistas que presumem deter a verdade. Às mulheres, negros, indígenas, pobres, lgbtqia+ e todos e todas que são sistematicamente oprimidos, aprouve ao Pai conceder seu Reino. É Claro que Jesus também quer libertar as pessoas que vivem em condições de privilégio. No entanto, para elas, o ingresso no Reino só é possível quando se despojam diariamente de seus privilégios e colocam-se a serviço dos pequeninos do Pai. A espiritualidade proposta por Jesus se vive em liberdade. O descanso que ele oferece não é meramente psicológico nem conduz à passividade. Aceitos, amados e escolhidos por Deus, somos potencializados para o engajamento na missão de Deus de desfazer as estruturas de opressão e construir um reino de justiça e paz.

 

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