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Espiritualidade

POR UMA ESPIRITUALIDADE DO COTIDIANO

por Redação Radar da Bahia no dia 06 de September de 2020 às 12:40
Foto: Reprodução

 

POR UMA ESPIRITUALIDADE DO COTIDIANO

“... eu estarei sempre com vocês...” – Mateus 28.20

Jesus de Nazaré prometeu que estaria sempre com seus seguidores e seguidoras. Tal promessa se dá no contexto da chamada Grande Comissão, quando ele envia seus discípulos e discípulas a darem testemunho da sua mensagem, fazendo assim crescer o número de pessoas que crêem nele. Os evangélicos tidos como mais conservadores veem nessa promessa a garantia de que Jesus os auxiliam na tarefa evangelizadora de conversão das almas. Os chamados progressistas entendem tal afirmação como a garantia de que Jesus os auxiliam na tarefa da promoção da justiça. Se para os conservadores fazer discípulos significa fazer novos evangélicos, para os progressistas significa arregimentar novos agentes que trabalhem politicamente na construção de um novo mundo de justiça e paz, que seria o sinal histórico concreto da presença do Reino de Deus. Quem me conhece sabe que me identifico muito mais com a segunda vertente.

Entretanto, é fácil perceber como ambas lidam com a promessa de Jesus a partir de certa lógica de mercado. O divino está a serviço de seus empreendimentos religiosos. Na introdução do seu livro “Celebração da Disciplina”, o pastor Richard Foster diz: “A superficialidade é a maldição de nosso tempo. (...) A necessidade desesperada de hoje não é de um maior número de pessoas inteligentes nem de pessoas talentosas, mas de pessoas com profundidade.” Estou de acordo. A grande tragédia do evangelicalismo brasileiro contemporâneo não é a falta de bons teólogos, embora realmente tenhamos poucos, mas a falta de místicos, estes sim, rarefeitos. Sei que corro o risco de cair na velha e danosa dicotomia fé X razão. Não tenho esta intenção. Quem me conhece sabe o quanto eu valorizo o pensamento crítico, a produção intelectual e o labor teológico. No entanto, reconheço sim que a paixão espiritual tem primazia para mim. Corações ardentes me encantam muito mais do que mentes brilhantes. Bem aventurados os que conjugam ambas as graças.

Penso que, no caso da promessa em questão, mais do que oferecer-se para ser um divino poder que nos capacita a cumprir uma tarefa, o que Jesus faz é oferecer-se como uma divina companhia amorosa em nossa peregrinação existencial. Sim, precisamos desenvolver uma espiritualidade que reconheça a presença de Jesus em nosso cotidiano. Ele mesmo disse que não trataria seus seguidores como meros servos, mas como amigos (cf. João 15.15). É preciso que tenhamos bastante clareza. Jesus não pode ser reduzido a um mero dogma, nem instrumentalizado como ideal político. Tanto o obscurantismo fundamentalista, quanto o iluminismo progressista podem nos impedir de enxergar Aquele que é, sobretudo, Emanuel, Deus conosco, pois ambos revelam a superficialidade da qual Foster diz ser a maldição contemporânea.

Não falo como quem alcançou a profundidade de uma singela espiritualidade do cotidiano. Sou superficial. Via de regra, perco o divino companheiro de vista, porque tenho a tendência de centrar o olhar no meu próprio umbigo. Mas ele sempre insiste em me atrair com uma amorosidade inigualável. Escrevo como quem está tomado por um profundo desejo de vislumbrar mais perenemente o Cristo que me acompanha. Escrevo também como um sedutor. Quero provocar o mesmo desejo em você. Afinal de contas, como dizia o escritor e místico francês León Bloy, “A única tristeza real na vida é não ser um santo”. E santo aqui não é quem não comete erros morais, mais quem desenvolve uma profunda relação de amizade com Deus.  

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

 

 

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