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Espiritualidade

Indicativos de uma espiritualidade genuinamente evangélica

por Redação Radar da Bahia no dia 23 de August de 2020 às 06:58
Foto: (Reprodução)

“Aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou.” – 1 João 2.6

Falar sobre a espiritualidade cristã ou evangélica é bastante complicado porque o movimento de Jesus, desde os tempos neotestamentários, sempre foi complexo, diverso, plural e, não raro, contraditório. É muito comum encontramos acadêmicos, militantes e protestantes das chamadas igrejas históricas e/ou reformadas denunciando os grupos pentecostais e neopentecostais como sendo desviados dos ensinos de Jesus. No entanto, precisamos complexizar as coisas. É claro que há nesses segmentos um contingente expressivo de evangélicos, com líderes midiáticos cujos interesses político-econômicos e as práticas de intolerância denunciam o evidente distanciamento daquilo que Jesus viveu e ensinou. Entretanto, é também nesses grupos que se encontra o maior número de pessoas das classes oprimidas; o mesmo tipo de multidão que seguia a Jesus. Negros cristãos, por exemplo, têm muito mais visibilidade e oportunidade nessas igrejas. Por que não escolhem as igrejas histórico-reformadas? Qual a responsabilidade destas igrejas no processo racista que estrutura este país? Como explicar o alinhamento de tantos protestantes históricos a um projeto político que explicitamente promove discursos de violência e retirada de direitos dos grupos sociais minorizados? Não é isto um flagrante desvio do Evangelho de Jesus de Nazaré? 

Não devemos fazer ajuizamentos simplórios. Mas o Novo Testamento nos dá indicativos para discernir se há entre igrejas e pessoas ditas evangélicas uma tentativa sincera de seguimento de Jesus. No versículo em destaque, o apóstolo João nos ensina que aquele que afirma seguir a Jesus deve andar como ele andou. E como ele andou? “Por toda parte fazendo o bem”, nos informa as Escrituras (Cf. Atos 10. 38). Penso boas lentes para tal discernimento seja o grande imperativo evangélico do amor. Quando o amor não está em evidência e permeando as comunidades ditas cristãs e suas práticas, o distanciamento de Jesus fica patente. É impossível, por exemplo, reconhecer num grupo de pessoas moralistas e fanáticas que vociferam palavras de condenação contra uma garotinha de dez anos vítima de estupros, sem demonstrar qualquer compaixão, alguma marca que lembre o gracioso, amoroso e compassivo Jesus Nazaré.  Um parâmetro imprescindível de fidelidade evangélica é a busca pelo cumprimento daquilo que podemos chamar de Declaração de Missão de Jesus: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor" (Lucas 4.18,19)

Podemos avaliar, então, nos seguintes termos: há compromisso com os pobres? Pensemos nos pobres como todas as alijadas de acesso equânime aos direitos básicos que resguardam a dignidade humana. Há cuidado com as pessoas em de privação de liberdade? A expressão “Bandido bom é bandido morto”, tão repetida ultimamente, denuncia uma falta de compromisso com a missão de Jesus. Os cegos eram tidos como amaldiçoados pela mentalidade sociorreligiosa do tempo de Jesus. Além deles, havia muitos outros grupos oprimidos; basicamente as pessoas que não estavam nos estratos sociais privilegiados. Há comprometimento com a causa das pessoas minorizadas? O ano da Graça do Senhor é o ano do Jubileu. Tempo de perdão, reconciliação, libertação econômica etc. Há radicalidade na defesa de tais valores? Estas questões nos ajudam a perceber se quem afirma seguir a Jesus de Nazaré realmente o faz, pois, conforme nos ensina João, discípulo de Jesus não é quem afirma permanecer nele, mas quem faz da agenda dele sua própria agenda.  

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

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