publicidade

Polemizando

Discurso bonitinho - mas ordinário - da diretoria faz Bahia fracassar no futebol do Nordeste

por Neison Cerqueira no dia 05 de August de 2020 às 14:00
Foto: Felipe Oliveira / EC Bahia / Divulgação

A derrota do Bahia para o Ceará nos dois jogos da final da Copa do Nordeste levou as redes sociais a diversas discussões e pontos. Duas chamaram atenção: a insistência na continuidade do trabalho do diretor de futebol do clube, Diego Cerri, além das entrevistas coletivas e falta de repertório do treinador Tricolor, Roger Machado. 

O Ceará foi absoluto nos dois jogos em Pituaçu. O primeiro vencido por 3 a 1. O segundo, 1 a 0. No agregado, 4 a 1. O Vovô repetiu a façanha de 2015, quando impôs ao Bahia duas derrotas: no Castelão e na Fonte Nova. Cinco anos depois, Ceará conquistou o bicampeonato do Nordeste. 

A gestão do presidente Guilherme Bellintani, que tem méritos por organizar o clube administrativamente e em setores importantes enquanto instituição, peca no futebol. De 2018 até aqui, o Bahia teve duas oportunidades de consolidar-se como protagonista da região, 'taliqual' é considerado como clube de maior orçamento - a gestão reverbera o feito. Bem verdade que são duas finais em três anos, mas é o suficiente? 

No clube desde 2016, Cerri deita em berço esplendido

Sob o comando de Diego Cerri, em 2018, o Tricolor foi derrotado pelo Sampaio Corrêa no Maranhão e empate em 0 a 0 na Fonte Nova, colocou o Bahia na fila do Nordestão. No mesmo ano, o time foi eliminado da Copa Sul-Americana em partida polêmica contra o Atlhetico Paranense. Na sequência, derrota por 1 a O para o Palmeiras e eliminação na Copa do Brasil. 

Em 2019, eliminação precoce na primeira fase da Copa do Nordeste para o algoz Sampaio. Na Copa Sul-Americana, derrota para o Liverpool-URU por 1 a 0, mas a equipe não conseguiu reverter a vantagem na Fonte Nova e empate em 0 a 0 tirou o time da competição. Ainda nesta temporada, eliminação para o Grêmio, após empatar em 1 a 1 em Porto Alegre e ser derrotado em Salvador por 1 a 0.

Em 2020 nada mudou. Eliminação para o River-PI em jogo único na Copa do Brasil e mais uma vez vice da Copa do Nordeste, em casa. Vale lembrar que, devido a pandemia da Covid-19, o Nordestão foi disputado em Salvador e o Bahia teve todos os seus jogos disputados em Pituaçu. O fator "casa" não deu resultado.

Em que pese a manutenção de Diego Cerri no cargo, a cobrança precisa ser mais incisiva, caso o Tricolor queira galgar algo a mais no Campeonato Brasileiro. A impressão que passa é que a diretoria já se acostumou a plantar discursos que minimizam os fracassos, sem fazer autocrítica sobre a gestão do departamento de futebol. Esse problema vem desde muito antes de Roger. A mentalidade vencedora tem que partir de cima e é algo que precisa ser corrigido rapidamente. Se o clube tem o melhor elenco - no papel - do Nordeste, em campo deixa - e muito - a desejar, mas isso é assunto para o próximo tópico. Siga.

Roger Machado: o cômodo

No comando do Bahia desde 2019, Roger Machado tem em mãos um elenco que é o maior orçamento do Nordeste. A diretoria preza pelo trabalho a longo prazo, mas o de Roger não tem surtido efeito. O treinador é criticado desde o ano passado quando, no Campeonato Brasileiro, perdeu a mão e terminou a competição em 11º lugar, após excelente campanha no 1º turno. 

Contra o Ceará, nos dois jogos, chamou atenção a forma como Roger Machado se mostrou acomodado na beira do gramado e também nas entrevistas após derrotas. Sem brilho, o Bahia, em nenhum momento, foi merecedor do título. As análises de jogos que só ele enxerga irrita o torcedor, que 'pistola', pede sua cabeça (lá ele!) nas redes sociais. 

Após a derrota para o Ceará, duas declarações de Roger chamaram atenção: "Em função do placar agregado pareceu haver uma superioridade em função do placar, porém, foram dois jogos decisivos e prevaleceu quem errou menos", disse. A segunda foi sobre o início de disputa do título Baiano - competição que a diretoria do clube já considerou falida e colocou equipe sub-23 para atuar. "Vencendo o Campeonato Baiano, vai dar um alento e uma felicidade ao torcedor", declarou. 

O treinador mostra-se perdido e com tomadas de decisões duvidosas. No futebol, não é errado fazer o famoso "feijão com arroz", mas pelo visto o treinador do Bahia - que deve ter sido acalentado pela direção após mais um vexame - prefere morrer abraçado em suas convicções errôneas. E talvez nem disso ele saiba, mas a verdade é que falta repertório, motivo esse que pode ser justificado como possível insucesso.

A insistência em João Pedro e manutenção de Gregore (tem tido atuações sofríveis e falhou no gol do Ceará). Fernandão na frente mais atrapalha do que ajuda. No gol, um inseguro Anderson é titular. Observa-se: Nino pede passagem, Ronaldo em melhor momento poderia ter entrado ao lado de Flávio. Na frente, Saldanha no lugar de Fernandão ou ter mudado a forma tática da equipe, colocando Marco Antônio ou Daniel em campo. Para quem precisava vencer a partida por três gols de diferença para conquistar um título, o Bahia atuou como se tivesse disputando um amistoso valendo refrigerante no 'Evaristão', com transmissão exclusiva no Sócio Digital. O desempenho insosso do time assusta. De quem é a culpa?

Torcida pistola e críticas da imprensa

Com comentários de torcedores e cronistas da imprensa, o Bahia chegou aos assuntos mais comentados no Twitter, os chamados "Trends Topics", logo após a partida. A torcida abraçou o clube durante a pandemia. Já passou da hora de ter retorno, e o que é diferente do "não se espera nada em troca": mentira, o torcedor espera, sim. Fato é que o "tesão" pela "continuidade do trabalho" cegou. Não há nenhuma ação de cobrança que reflita em campo - entrevista de Bellintani nesta tarde ao Sócio Digital, aplicativo oficial do clube, evidencia a normalização da derrota. O comodismo e o discurso barato de "estamos no caminho certo" se tornou piegas. A diretoria tem pontos positivos, mas o fracasso no futebol da região é evidente. Pode até contentar-se em mais uma vez levantar a taça do falido Baianão, mas o 'X' da questão mesmo é que o Brasileirão vem aí...

 

LEIA TAMBÉM:

Resfriado comum pode dar imunidade contra a Covid-19, aponta estudo

Notícias: Polemizando

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar