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Espiritualidade

Por uma espiritualidade na vanguarda da defesa da vida

por Redação Radar da Bahia no dia 02 de August de 2020 às 08:17
Foto: (Reprodução)

“Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". – João 4.24

Apesar da liberação por parte das autoridades públicas para a reabertura de templos religiosos, os Orixás não permitiram o funcionamento público dos terreiros na Bahia nesse período de pandemia. Brinquei com alguns amigos pastores: “é preciso pedir aos Orixás que dêem uns conselhos para Jesus, porque muitos dos templos “dele” estão bombando”. Brincadeiras à parte, é evidente que o Jesus revelado nos Evangelhos sempre deu e sempre dará primazia à vida em detrimento dos ritos, dogmas, preceitos e lugares sagrados. Esses pastores com os quais brinquei têm tido a firmeza e sabedoria de manter as igrejas que lideram sem programações presenciais e estão utilizando-se dos recursos virtuais para a manutenção segura de algumas atividades eclesiásticas. Tenho muito orgulho deles. Há muitas outras igrejas sérias agindo assim também. 

O Axé não é o meu lugar de fala e pertença religiosa, mas, pelo que tenho aprendido com amigas e amigos que professam essa fé, imagino o quanto tem sido difícil para o povo de santo ficar distanciado de seus Ilês e famílias espirituais. Embora ciente da possibilidade de equívoco, pressuponho que haja rituais sagrados fundamentais que só se realizam nos terreiros. Estão, como todo mundo, tendo que se reinventar. Os Orixás, pela determinação, e os filhos e filhas de santo, pela obediência, nos dão um belíssimo testemunho de compromisso com a vida. É muito provável que alguns grupos estejam mantendo seus terreiros em funcionamento. Mas parece ser uma parcela ínfima. Ao menos, não vi notícias de terreiros sendo focos de transmissão.

Mas meu lugar de fala e pertença é o universo cristão. O verso bíblico destacado é parte de um diálogo entre Jesus e uma mulher samaritana sobre qual seria o legítimo lugar sagrado de adoração a Deus. A resposta de Jesus é emblemática. Ele diz que a adoração a seu Pai prescinde de lugares sagrados. O mais importante é a inteireza de coração, a sinceridade espiritual e a consagração da vida à verdade que se manifesta em gestos concretos de amor. Como cristãos, temos que agir conforme Jesus. Sabemos, contudo, como o templo passou a ter centralidade na religiosidade cristã tradicional. Poderia levantar toda uma discussão sobre as nuances políticas e econômicas por trás da centralidade do templo no cristianismo. Mas não é minha intenção agora. 

Reconheço a importância espiritual e psicológica que o ajuntamento congregacional tem para a maioria dos cristãos. A mim, inclusive, tem feito grande falta. Não desconsidero a complexidade que envolve a decisão de reabrir ou não as igrejas. Mas é preciso reconhecer que toda a logística de funcionamento das igrejas, com pessoas pregando, falando, cantando, orando etc., faz com que se tornem lugares propícios para a contaminação em massa. Notícias de fatos assim se multiplicam ao redor do mundo. O imperativo evangélico de primazia da vida se impõe ainda mais num contexto como o atual. Oxalá os que afirmam servir a Jesus sejam nesse momento tão comprometidos com a preservação das vidas quanto estão sendo os que servem aos Orixás.    

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

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