publicidade

Esportes

Testes de coronavírus do Bahia são investigados por suspeita de fraude; PGE apura caso

por Whaley Emmanoel no dia 31 de July de 2020 às 16:50
Foto: Divulgação

Testes de coronavírus feitos pelo elenco do Bahia estão sob investigação da Procuradoria Geral do Estado (PGE) após suspeita de fraude envolvendo um laboratório particular. Os dispositivos de testagem foram contratados pelo clube junto ao laboratório Nossa Senhora de Fátima, que presta serviços para o Instituto 2 de Julho, organização social que gere uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no bairro de Roma, em Salvador, contratada pela prefeitura da capital baiana.

Ao invés de serem processados por um laboratório privado com sede em Minas Gerais, os testes tiveram fase de processo no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen), gerido pelo governo estadual e que não presta serviços a laboratórios de análises clínicas privados.

Em entrevista a um site de notícias, o assessor especial da PGE, procurador Ruy Sérgio Deiró da Paixão, explicou que os agentes foram demandados pela Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) e que buscam pelo ressarcimento dos valores pagos e a responsabilização dos fraudadores. 

"A PGE foi demandada pela Sesab a proceder à análise, diagnóstico e providências acerca dos fatos envolvendo o encaminhamento de material para exames laboratoriais, como se oriundos de uma unidade do SUS, quando, na realidade, procediam de empresa privada. A defesa do interesse público reclama duas linhas de atuação, as saber: o ressarcimento ao Erário e a responsabilização de quem, porventura, tenha agido em desconformidade com a lei. Os fatos estão sob apuração, mas, até aqui, tudo o que se levantou indica que o Estado foi vítima de um grupo mal intencionado, do qual não integra nenhum servidor público. Não é possível, no entanto, fornecer maiores informações, para que não haja prejuízo às investigações, nem acusações precipitadas", disse.

Segundo o clube, o Laboratório de Análises Clínicas Nossa Senhora de Fátima, com unidades em Candeias, Madre de Deus e São Francisco do Conde, definido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e responsável por testes complementares, realizou os procedimentos através do Sistema Único de Saúde (SUS).

O laboratório utilizado pelo clube foi o mesmo disponibilizado pela CBF. Assim, a empresa recebeu pagamentos do Bahia e da CBF. Os exames pagos pela entidade máxima do futebol foram feitos de maneira normal. Os que foram pagos pelo Bahia tiveram a fraude.

De acordo com o Bahia, foram realizadas, pela empresa, quatro rodadas do exame e, portanto, 26 testes. Contudo, após receber laudos do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen), constava que os procedimentos tinham sido feitos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santo Antônio, situada no bairro de Roma, na capital baiana. A partir daí, o Bahia entrou em contato com o Estado para buscar esclarecimentos. Foi nesse momento que a fraude foi detectada.

Em nota, a empresa responsável por administrar a UPA Santo Antônio disse que terceiriza os serviços do laboratório Nossa Senhora de Fátima, mas garantiu que, “em nenhum momento, qualquer membro do Esporte Clube Bahia (ECB) compareceu” à unidade para realização dos exames.

"Lamentavelmente, ela fez uso ilícito de senha compartilhada do Instituto 2 de Julho, enviando a análise dos diagnósticos para o Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen) como se fossem coletas realizadas na UPA Santo Antônio", diz trecho da nota da UPA.

O Instituto 2 de Julho informou que rompeu o contrato que tinha com o laboratório. "Nossa organização social terceiriza os serviços do laboratório Nossa Senhora de Fátima, empresa que também foi contratada para prestar serviços privados ao clube de futebol. Lamentavelmente, ela fez uso ilícito de senha compartilhada do Instituto 2 de Julho”, diz a nota do Instituto.

De acordo com Guilherme Bellintani, presidente do Bahia, o laboratório foi contratado por indicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que já possui parceria com a empresa para realização dos testes. Se no Lacen os técnicos estranharam o fato dos exames dos jogadores terem o selo da UPA, na cúpula do tricolor, o selo do Lacen foi o sinal de fumaça.

“A CBF faz para o Bahia 26 exames de Covid-19 por jogo, só que precisamos de mais do que isso, quase 70 exames. Então, para complementar, nós contratamos o mesmo laboratório que a CBF indicou. A confederação contratou um laboratório e nós decidimos fazer com o mesmo. Acontece que quando recebemos os testes, eles chegaram com o selo do Lacen. Estranhamos isso e conversamos com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e eles identificaram que exames tinhado sido enviados pela UPA. Nunca fizemos lá [UPA], muito pelo contrário, estamos pagando (...) No final das contas, o Bahia foi vítima, o Lacen e a própria UPA. Agora estamos com uma sindicância para que o laboratório seja punido. Vamos até o fim na tentativa de coibir isso”, explicou Bellintani.

 

 

LEIA TAMBÉM:

Brasil tem 91.607 mortes por Covid-19, diz consórcio da imprensa

Notícias: Esportes

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar