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Espiritualidade

Por uma espiritualidade antissexista e antirracista

por Redação Radar da Bahia no dia 26 de July de 2020 às 07:00
Foto: (Reprodução)

“Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.” – Gálatas 3.28

Faço aqui memória ao Dia de Maria Madalena, celebrado no dia 22 de julho, e ao Dia da mulher negra latino-americana e caribenha, comemorado ontem, 25 de julho. Madalena teve seu valor apagado na história e sua imagem associada à prostituição e a condição de pecadora. Estratégia misógina já conhecida de inferiorização das mulheres para a dominação masculina. Ela é a mulher mais citada no Novo Testamento. Naquela tradição patriarcal, mulheres raramente eram citadas nas narrativas, e, quando citadas, somente em relação de subordinação a um homem, seja o pai ou o marido. Ela, porém, é referenciada por sua cidade de origem, Magdala, coisa que só se dava com pessoas de proeminência social. Madalena era uma mulher autônoma e de posses financiava o ministério de Jesus. Foi chamada “apóstola dos apóstolos”, por ser a primeira testemunha da Ressurreição de Jesus. Exerceu papel de liderança na igreja primitiva. 

Maria de Magdala é ícone da Teologia Feminista. Mulheres cristãs têm denunciado o injusto sistema de opressão patriarcal que tem estruturado os cristianismos hegemônicos. No versículo em destaque, o apóstolo Paulo anuncia que o Evangelho do Cristo lança por terra todo sistema de segregação. Sabemos, contudo, que não há, nas estruturas eclesiásticas, a relação de igualdade, equidade e justiça ensinada por Jesus de Nazaré. Nós homens precisamos urgentemente abandonar a sede de protagonismo e nos comprometermos com a causa antissexista. Conversando recentemente com a querida pastora e teóloga Odja Barros, ela evocou a história de Maria e Marta de Betânia, cujo irmão Lázaro morreu e foi ressuscitado por Jesus. Marta ousou dizer a Jesus que se ele não tivesse demorado seu irmão não teria morrido (cf. João 11). Sem desconsiderar o valor do milagre, Odja Barros toma essa narrativa bíblica numa perspectiva de gênero para afirmar profeticamente que muita dor e morte podem ser evitadas se os homens cristãos se apressarem em unirem-se às mulheres nas justas lutas feministas. 

A realidade opressora se adensa quando colocamos gênero e raça em relação de interseccionalidade. Mulheres negras são duplamente submetidas a violências. Por conta dessa particularidade, mais do que atentarmos para a causa feminista, precisamos escutar a voz do Feminismo Negro. Os cristianismos hegemônicos mais uma vez trai a vocação do Evangelho quando, assim como no caso do sexismo, está historicamente associado a práticas racistas. Leituras bíblicas fundamentalistas patrocinam a violência sexista e racista em nome de Deus. Não podemos ser cúmplices de tais abominações. Precisamos denunciar profeticamente essas iniquidades estruturais. Toda postura conciliatória, nesse caso, é conivente com o mal. O Evangelho nos conclama à unidade na diversidade. Mas isso não significa, em hipótese alguma, em tolerância com práticas desumanizadoras. Não há meio termo. É preciso que se diga com radical nitidez: um cristianismo tolerante com o sexismo e o racismo é anátema. É fundamental que haja primeiro arrependimento, confissão e reparação, para que possa haver de fato perdão, transformação e comunhão. Somente por meio de uma espiritualidade antissexista e antirracista é que podemos ser fiéis testemunhas do Ressuscitado.

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

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