publicidade

Espiritualidade

Sobre ser pastor

por Redação Radar da Bahia no dia 19 de July de 2020 às 07:41
Foto: (Reprodução)

“Amamos vocês e os tratamos com muito carinho. Não satisfeitos em transmitir a Mensagem, queríamos dar a vocês nosso coração. E foi o que fizemos.” – I Tessalonicenses 2.8 (A Mensagem)

No último dia dezesseis, completei nove anos de ordenação ao ministério pastoral. Vivemos num tempo em que nós, pastores e pastoras sérios, chegamos a ficar com certo constrangimento de falar publicamente quem somos, diante de tantos exemplos de pastores midiáticos cujo deus é o dinheiro, escancaradamente mesquinhos, estelionatários... apóstatas, enfim. Sequer preciso citar nomes, porque a imagem dos tais vem imediatamente à mente de vocês. Mas ser pastor é absolutamente distinto disso que vocês têm agora em mente. Eles não são pastores, de fato. São lobos devoradores, traficantes do sagrado, ilusionistas da fé, abusadores da credulidade e da dor das multidões. Darão contas ao Justo Juiz por suas iniqüidades. O ministério pastoral tem natureza muito mais elevada. Sou apaixonado pela vocação pastoral. Ela me domina.

Pastores e pastoras não são burocratas da religião; gestores de projetos eclesiásticos; promotores de utensílios espirituais; técnicos da oratória; polícias da crença, dos corpos e genitálias alheias. São, sobretudo, pessoas que desenvolvem uma íntima relação de amor com Jesus e demonstram esse amor amando as pessoas que Jesus ama. Nossa missão é dar testemunho da altura, da largura, da densidade e da profundidade do amor com que Deus nos ama, conforme revelado na pessoa de Jesus de Nazaré. Eugene Peterson diz, em seu livro “A vocação espiritual do pastor”, que pastores são pessoas cuja simples presença faz com que as pessoas se lembrem de Deus. Somos cooperadores com Deus na missão de gerar comunidades que espalham amor, partilha, compreensão, compaixão, solidariedade, justiça, fé, alegria e esperança pelo mundo que Ele criou.

Ao revisitar minhas memórias pastorais, fui tomado por profunda alegria, gratidão e senso de propósito. Sim, lembrei dos feitos organizacionais, das reuniões de liderança e planejamento administrativo, das assembléias, das participações em eventos públicos, dos cultos, sermões, orações, estudos bíblicos etc. Estas são importantes atividades do pastorado. Mas lembrei, acima de tudo, de nomes, rostos, lágrimas e sorrisos. Da partilha do pão, celebração da vida, dos encontros de alma, da segunda milha caminhada, dos afetos sinceros potencializados pelo Espírito de Deus. Sei que cometi erros, feri pessoas, me envaideci, fui negligente e equivoquei-me muitas vezes. Mas há uma coisa que minha consciência testemunha noite e dia: eu tenho amado pessoas. 

Por pura bondade de Deus, há pessoas que hoje estão de pé, foram consoladas e encorajadas, encontraram um caminho mais digno para suas vidas, renovaram sua esperança e sua fé, passaram a amar mais o próximo e aprofundaram a espiritualidade, também por contribuição do meu pastorado. É que, como o apóstolo Paulo, não quero apenas falar do Evangelho, quero dar meu coração, que, na prática, é a forma mais profunda de testemunhar o Evangelho. Não falo por vanglória. Sei que o que tenho sido é fruto exclusivo da imerecida Graça de Deus. Sou apenas um auxiliar do Bom Pastor, Jesus de Nazaré, a quem quero amar e servir por toda a minha vida. Soli Deo gloria!

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

Notícias: Espiritualidade

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar