publicidade

Espiritualidade

Por uma espiritualidade que nos faça mais humildes!

por Redação Radar da Bahia no dia 05 de July de 2020 às 07:32
Foto: (Reprodução)

Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram: "Quem é o maior no Reino dos céus? " Chamando uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus. Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus. – Mateus 18.1-4

Já havia partilhado esse texto em minhas redes sociais, mas compartilho novamente aqui para alcançar um maior público leitor. Talvez o maior de todos os problemas humanos seja a aspiração à grandeza. O culto ao ego é hoje a grande idolatria. O paradigma desse mundo é a competição pelo sucesso. O vencedor é o mais forte, inteligente, esperto, influente, admirado, com mais títulos, mais posses, mais seguidores, mais likes etc. Em nome da sua pretensa grandeza, muitos diminuem, das mais variadas formas, as outras pessoas. No universo religioso, não raro, prevalece essa mesma mentalidade. As pessoas desejam ser espiritualmente grandes. Querem se destacar no espaço cúltico, ter adeptos para si, possuir maior poder espiritual e capacidade de mover as divindades em favor dos seus interesses. 

Na narrativa bíblica em destaque, os discípulos chegam até Jesus com esse mesmo espírito competitivo e soberbo. Querem saber quem é o maior no Reino de Deus. Jesus subverte os valores. Ele faz das crianças o paradigma do discipulado. Quem segue a Jesus de Nazaré deve desistir de ser o centro das atenções e autossuficientes. Deus é o centro para onde convergem todos os discípulos e discípulas, não como competidores, mas, de mãos dadas, como irmãos e irmãs. Mas Ele se revela na face do próximo. Olhar para Deus, portanto, é enxergar as pessoas ao redor. O Pai nosso distribui suas boas dádivas, o pão nosso, para o bem de todos os seus filhos e filhas. De acordo com a lógica de Jesus, o menor, o mais humilde, aquele que tira os olhos do seu próprio umbigo e presta atenção nos outros, agindo para que a vida das pessoas seja respeitada, preservada, valorizada e bem vivida é quem encontrou a real grandeza existencial. 

Uma pandemia como a que estamos vivendo tem o poder de revelar a falsidade do nosso senso de superioridade. A enfermidade, a dor, o medo, a morte e o luto acometem a todas as pessoas. Nesse tempo de distanciamento social, quero convidar você a refletir sobre como tem levado a sua vida. Você busca ser o maior ou, como ensinou Jesus, está se tornando como criança? Até mesmo seus gestos de bondade, buscam de fato o bem do próximo ou a exaltação do seu nome? Ao passar por essa pandemia, você tem feito algo para proteger outras pessoas além de você e os seus? Tem dividido seus recursos com quem tem menos? Aproveite esse período de reclusão para se repensar e retirar todo verniz social que possa te dar a falsa sensação de superioridade em relação às outras pessoas. Se estiver com crianças em casa, as observe e aprenda com elas. Elas são o paradigma que Jesus nos deu. É tempo de aprendermos a ser mais humildes, mais afetuosos, mais solidários, mais desprendidos, mais colaboradores, mais alegres e mais confiantes em Deus. Adélia Prado sintetizou esse ensinamento de Jesus em seus célebres versos: Meu Deus/ me dá cinco anos/me dá a mão/me cura de ser grande.

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

Notícias: Espiritualidade

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar