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Espiritualidade

Agarrados à esperança!

por Redação Radar da Bahia no dia 28 de June de 2020 às 08:13
Foto: (Reprodução)

“Nunca vou esquecer a desgraça, o gosto de cinzas, o veneno que engoli. Lembro de tudo – ah, como eu lembro! – o sentimento de chegar ao fundo do poço. Mas há outra coisa que eu lembro e, ao lembrar, continuo agarrado à esperança: O amor leal do Eterno não pode ter acabado, seu amor misericordioso não pode ter secado. Eles são renovados a cada manhã. Como é grande tua fidelidade!” – Lamentações 3. 19-23 (A Mensagem)

Ontem acordei com um sorriso rasgado nos lábios. É que sonhei que estava na repartição pública em que trabalhei por quase dez anos, cuja experiência guardo no peito com carinho e saudades. Fiquei alegre por reencontrar, ainda que oniricamente, aquelas pessoas tão queridas. Fuçando as redes sociais, deparei-me com a encantadora apresentação de “Toda Menina Baiana” feita por Gilberto Gil e Kofi Annan na ONU, em 2003. Lembrar a grandeza que o Brasil já teve no mundo, a despeito do estado deplorável em que se encontra agora, aqueceu meu coração. A calamidade sanitária, social, econômica e política em que o país está mergulhado, e a flagrante incompetência na gestão federal da crise fazem qualquer um que não tenha perdido a alma sentir o gosto da amargura e da desesperança na boca. Ao menos assim tem sido comigo e com as pessoas dos meus círculos de relacionamentos. Mas estas duas memórias sopraram em mim a centelha da esperança. 

A esperança nada tem a ver com um mero otimismo. Rubem Alves nos explica isso de forma magistral na crônica “Otimismo e esperança”, que consta no livro “Concerto para Corpo e Alma”: “Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. (...) Otimismo é alegria “por causa de”: coisa humana, natural. Esperança é alegria “a despeito de”: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.” O sonho e a apresentação na ONU foram os “morangos à beira do abismo” que alimentaram minha esperança. Te incentivo a rememorar hoje experiências que acendam sua esperança. Avise às pessoas que aparecerem nessas memórias como elas são como um “morango à beira do abismo” na sua vida. Isso renovará a esperança delas. A gratidão e o afeto são irmãos da esperança.  

O texto bíblico em destaque está no contexto em que a Judéia havia sido dominada pelo Império Babilônico. Muros, templo, casas, plantações e animais destruídos. Crianças assassinadas, mulheres estupradas e boa parte da população levada cativa. Os que ficaram vagavam pelas ruas lamentando a desgraça. Ninguém bancava a Poliana brincando de contente. O caos era generalizado. O profeta lembrava diuturnamente disso. Mas ele não pensou somente nas mazelas. Como ensinou Rubem Alves, a esperança é coisa divina e nasce na eternidade. Jeremias lembrou-se também das fontes inesgotáveis do amor leal e misericordioso do Senhor, e de como Ele não fica indiferente e age, das mais variadas maneiras, para trazer libertação. O fogo do amor de Deus aqueceu a esperança do profeta. Deus colocaria vários morangos à beira do abismo e faria o povo viver dias melhores. Assim ele tem feito no decorrer da História. Por maiores que tenham sido as desgraças históricas, vencemos até aqui e, fiados no amor leal e misericordioso do Senhor, haveremos de continuar vencendo. Somos ininterruptamente lembrados do caos em que o Brasil está mergulhado. Vamos lamentar sem fazer da desesperança a nossa morada. Que o fogo do amor de Deus aqueça nossos corações e nos faça seguir esperançados, como nos ensina Paulo Freire, construindo dias melhores!

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes!

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