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Espiritualidade

A mensagem de São João para hoje

por Redação Radar da Bahia no dia 21 de June de 2020 às 08:00
Foto: (Reprodução)

“Dêem frutos que mostrem o arrependimento.” – Lucas 3. 8a

No próximo dia 24 comemora-se, pela tradição católica, o dia de São João, uma das mais importantes celebrações da cultura nordestina. João foi um profeta cujo ministério precedeu o de Jesus de Nazaré, seu primo, a respeito de quem dizia: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3. 30). Ele pregava a chegada do Reino de Deus que implicava em mudança de vida. Era necessário arrependimento para perdão dos pecados. Os que atendiam à sua convocação profética eram batizados nas águas do rio Jordão, na Judéia. Batista não é um sobrenome, mas um qualificador. Significa “aquele que batiza”. O batismo era um ritual de purificação da religião judaica. Multidões, incluindo sacerdotes, líderes religiosos e mestres das Escrituras Sagradas, iam ao encontro de João para serem batizadas. Acreditavam que passar pelo ritual do batismo os livrava do juízo divino. João, no entanto, denunciava o mero ritualismo e conclamava a uma conversão sincera, cuja evidência se reconheceria por uma vida de constante prática da justiça.     

As pessoas perguntavam a João como poderiam dar frutos de justiça. Ao povo, ele dizia que os que possuíam roupas e alimentos deveriam compartilhar com quem não possuía (cf. Lucas 3. 10,11). Trata-se de uma espiritualidade prática que aponta para uma sociedade de justa distribuição de bens, na qual não haja pessoas que acumulam enquanto outras passam necessidade. Ele dirigiu-se especificamente a dois grupos que representavam o império romano: cobradores de impostos (agentes fiscais) e soldados (agentes policiais). Os cobradores de impostos costumavam extorquir o povo cobrando taxas acima das já elevadas taxações estipuladas pelo império, para ficar com o valor excedente. A eles João era enfático: “Não cobrem nada além do que lhes foi estipulado." (Lucas 3.13). Podemos ver aqui uma denúncia à corrupção dos agentes fiscais. Aos agentes policiais João dizia: “Não pratiqueis violência, não acuseis ninguém falsamente e contentai-vos com o vosso soldo.” (Lucas 3.14). A prática de tortura, a produção de provas falsas e a extorsão eram práticas comuns também entre aquelas corporações. O profeta exigia arrependimento e conversão, que é a mudança das práticas injustas e o abandono da mentalidade que as sustentam.

A mensagem do Batista permanece atual. A verdadeira fé em Deus implica em uma vida ética e de partilha. Ele anuncia a chegada do Reino de Deus que, segundo o apóstolo Paulo, é “justiça, paz e alegria” (cf. Romanos 14. 17). Não há justiça, paz e alegria se o povo sofre extorsão financeira e violência policial. Pensemos na realidade brasileira. Há uma prática generalizada de corrupção de agentes públicos. O país sofreu por duas décadas uma ditadura militar em que torturas e execuções eram comuns. Muitas ações policiais nas periferias brasileiras são bastante violentas e há um verdadeiro extermínio da juventude negra. O atual presidente do Brasil mostra-se bastante religioso, diz que defende valores cristãos e até batizou-se nas mesmas águas em que João batizava. Ao mesmo tempo, tem como ídolo o maior torturador da história do país, elegeu-se com o slogan “bandido bom é bandido morto” e age politicamente para criar mecanismos legais de defesa de policiais que praticam a violência. Ele tem apoio maciço de um grande número de cristãos das mais variadas correntes religiosas. Esse tipo de religiosidade é incompatível com a mensagem do Reino de Deus e deve ser profeticamente denunciada. A quem pratica ou apóia tais práticas, por mais religioso que seja, a palavra profética de João Batista ainda ecoa hoje: arrependam-se, mudem a mentalidade de vocês e abandonem a injustiça! 

Do seu amigo e pastor, Danilo Gomes.

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