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Saúde & Bem Estar

Alta do desemprego pode impactar diretamente no SUS

por Redação Radar da Bahia no dia 03 de May de 2020 às 10:40
Foto: Reprodução

A atual crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus tende a ganhar contornos ainda mais preocupantes nos próximos meses com o aumento do desemprego. Caso seja confirmado, a movimentação deve resultar em uma fuga de beneficiários dos planos de saúde e pode agravar ainda mais a situação do SUS (Sistema Único de Saúde).

A divulgação mais recente da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), aponta que pouco mais de um quarto (27,6%) da população brasileira é beneficiária de algum plano de saúde. Entre os desempregados, o percentual é 10 pontos inferior, de apenas 17%.

A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostra que há no país cerca de 47 milhões de beneficiário de convênios médicos privados. Para Marcelo Neri, diretor do FGV Social, é “preocupante” o que pode vir a acontecer com o setor e as consequências no SUS ao longo dos próximos meses.

“O que ainda salva um pouco o brasileiro é a existência de um serviço público de saúde. O problema é que esse serviço foi sucateado ao longo dos anos por conta da crise econômica. Agora, com a chegada da pandemia, esse efeito tende a ser muito mais agudo”, observa Neri.

A afirmação pode ser confirmada pelos dados do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), que apontam para o aumento do número de beneficiários dos planos de saúde sempre que há queda no percentual de desempregados. Há de se destacar ainda que os convênios empresariais correspondem a quase 70% das contratações.

Para o diretor do FGV Social, mesmo quem consegue manter o plano após ficar desempregado não sustenta a mesma qualidade do serviço. "Eles têm que fazer uso do sistema público e, em uma situação como a atual, a qualidade é ainda pior por conta da superlotação causada pela pandemia”, lamenta.Durante sua posse como ministro da Saúde, Nelson Teich defendeu a necessidade de tratar o coronavírus e a manutenção do emprego paralelamente. "Se tivermos mais desemprego, com menos gente com plano de saúde, vai impactar o SUS", alertou.

 

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