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Filipinas: presidente causa polêmica e autoriza policiais a matar quem descumprir quarentena

por Neison Cerqueira no dia 02 de April de 2020 às 11:20
Foto: Bullit Marquez / AP

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, disse nesta quarta-feria (1º) que autorizou policiais e militares do país a disparar contra as pessoas que não respeitarem as medidas impostas pelo governo para evitar a disseminação do coronavírus.

"Está ficando cada vez pior. Por isso, eu aviso vocês para a seriedade do problema e vocês devem ouvir. Não hesitarei. As minhas ordens para a polícia e para os militares são que, se houver problemas e se houver uma ocasião em que tenham de ripostar e as suas vidas estejam em perigo, os matem a tiros. Você entendeu? Mortos ao invés de causar problemas. Vou enterrar vocês", declarou o presidente.

Para tal medida, Duterte reforçou a "seriedade" da pandemia que, até o momento, já deixou 2.311 casos oficiais e 96 mortes no país. A decisão do presidente se deu após ocorrerem alguns confrontos em Manila, capital do país, devido a falta de apoio dos governos locais em cumprir as medidas de combate à covid-19. 

De acordo com a Agência Reuters, os confrontos causaram muitas prisões e somente na cidade de Quezon City cerca de 21 moradores foram presos por protestar sem permissão. "Lembre-se, você é esquerdista: você não é o governo. Não saia causando problemas e tumultos, porque eu ordenarei que você seja detido até que este surto de Covid termine", disparou o político.

Após a polêmica, Duterte recebeu muitas críticas em cima do pronunciamento televisionado na última segunda-feira (30). Na fala, Duterte disse que os profissionais da saúde "têm sorte de morrerem pelo país" ao abordar o trabalho deles em meio à pandemia. "Há médicos, enfermeiros e assistentes que morreram. Eles foram os que morreram ajudando os outros. Eles têm tanta sorte. Eles morreram pelo país. Essa deve ser a razão pela qual morremos. Seria uma honra morrer pelo seu país, garanto isso a vocês", declarou.

Nas Filipinas, 12 médicos morreram em decorrência da covid-19 no país. A Associação Médica havia divulgado anteriormente que diversos profissionais estão em quarentena e denunciaram a falta de equipamentos de proteção.

 

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