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Política

'FAKE NEWS'! Bolsonaro distorce fala da OMS para defender retorno ao trabalho

por Isabela Rocha no dia 31 de March de 2020 às 16:10
Foto: Presidência

Para defender o desejo pessoal de que os brasileiros retornem aos trabalhos diante da pandemia da Covid-19 (coronavírus), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou trecho distorcido do pronunciamento do diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A fala desconexa usada por Bolsonaro deu a entender que a entidade internacional estaria defendendo o retorno ao trabalho. Na oportunidade, Bolsonaro aventou a possibilidade de convocar novamente cadeia nacional de rede e TV nesta noite para comentar a fala do diretor-geral da entidade. O filho dele, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também aventou a possibilidade.

A ala bolsonarista do governo passou a divulgar uma versão editada da entrevista dada pelos dirigentes da OMS na segunda-feira (30), em que não aparecem nem as referências diretas à defesa das medidas de isolamento, nem os trechos em que o diretor-geral cobra dos países medidas para assegurar renda à população carente.

Na ocasião, Tedros citou a preocupação com pessoas isoladas em lugares mais pobres do mundo que têm que trabalhar diariamente para ganhar o "pão de cada dia" e cobrou dos governos que adotem medidas para garantir a renda da população mais pobre com a crise do coronavírus. Bolsonaro se referiu apenas a primeira parte da fala de Tedros, mas omitiu a segunda.

Nesta terça, o próprio presidente havia publicado um vídeo com a parte da fala de Tedros, legendada, em suas mídias sociais. No entanto, a OMS continua pregando o isolamento e o distanciamento social como principais medidas contra a Covid-19, informação que Bolsonaro omitiu ao divulgar o vídeo.

Tedros Adhanon comentou os impactos das medidas impostas pelo governo da Índia, que impôs restrições de movimentação e fechamento de comércio no país. "Sou da África e sei que muita gente precisa trabalhar cada dia para ganhar o seu pão. E governos devem levar essa população em conta. Se estamos limitando os movimentos, o que vai acontecer com essas pessoas que precisam trabalhar diariamente? Cada país deve responder a essa questão", disse Tedros.

E acrescentou: "Precisamos também ver o que isso significa para o indivíduo na rua. Venho de uma família pobre e sei o que significa sempre preocupar-se com o pão de cada dia. E isso precisa ser levado em conta. Porque cada indivíduo importa. E temos que levar em conta como cada indivíduo é afetado por nossas ações. É isso que estamos dizendo".

No trecho da entrevista omitido por Bolsonaro, Tedros deixa claro que quem dava assistir às populações mais carentes, em caso de isolamento e quarentena são os governos. "Nós entendemos que muitos países estão implementando medidas que restringem a movimentação das pessoas. Ao implementar essas medidas, é vital respeitar a dignidade e o bem estar de todos. É também importante que os governos mantenham a população informada sobre a duração prevista dessas medidas, e que dê suporte aos mais velhos, aos refugiados, e a outros grupos vulneráveis. Os governos precisam garantir o bem estar das pessoas que perderam a fonte de renda e que estão necessitando desesperadamente de alimentos, saneamento, e outros serviços essenciais. Os países devem trabalhar de mãos dadas com as comunidades para construir confiança e apoiar a resistência e a saúde mental", disse Tedros.

 

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