publicidade

Política

Para não ter imagem ligada à extrema-direita, Deltan rejeitou receber prêmio ao lado de Bolsonaro

por Neison Cerqueira no dia 14 de August de 2019 às 11:45
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

As mensagens privadas de integrantes da força-tarefa enviadas por fonte anônima ao site The Intercept Brasil e analisadas em parceria com o portal UOL, apontam que o coordenador da Lava Jato no Ministério Público no Paraná, Deltan Dallagnol, rejeitou receber um prêmio ao lado do hoje presidente Jair Bolsonaro (PSL) e “outros radicais de direita”. 

A ideia de Dallagnol, segundo a publicação, era não se vincular a bandeiras político-ideológicas como as do ex-capitão do Exército que atualmente sugere que Deltan seja um “esquerdista tipo PSOL”. 

O prêmio em questão foi o “Liberdade 2016”, concedido no Fórum Liberdade e Democracia, organizado pelo Instituto de Formação de Líderes de São Paulo, em 22 de outubro daquele ano no Transamérica Expo Center.

Em mensagem trocada no dia 5 de outubro no grupo Filhos do Januário 1, que reúne procuradores do MPF no Paraná, o coordenador da força-tarefa havia dito que receberia o prêmio. “Vou receber porque me parece positivo para a LJ, mas vou pedir para ressaltarem de algum modo, preferencialmente oifical, que entregam a mim como símbolo do trabalho da equipe”. As mensagens divulgadas preservaram a grafia usada no aplicativo.

Conforme O UOL, três dias antes do evento, Deltan foi aconselhado por um assessor da força-tarefa a não participar para evitar que associasse a imagem da Lava Jato à do então deputado federal, que participaria de uma mesa durante o evento. Durante a conversa com o assessor, Deltan mudou de opinião e avisou na madrugada do dia 20 o grupo Filhos de Januário 1 que não iria à premiação, por contar “com Jair Bolsonaro.

No evento, Bolsonaro foi recebido na mesa de debates por Helio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil, de orientação liberal, enquanto a plateia gritava: “Mito, mito”. Deltan pediu para outro assessor do MPF relacionar os prêmios recebidos pela Lava Jato, com detalhes da premiação, mas com menos destaque para outros, como o do Instituto de Formação de Líderes de São Paulo. A solicitação foi feita duas semanas depois.

Com a palavra, a Lava Jato...

Ao UOL, a Lava Jato de Curitiba afirmou que evita a “participação direta de seus membros em eventos que possam gerar, ainda que indevidamente, a vinculação do trabalho técnico feito na Lava Jato a bandeiras ideológicas e político-partidárias”. Ainda segundo a nota, o MPF reconhece a legitimidade de correntes políticas “que respeitem a Constituição e a democracia”. “No caso do evento indicado, a força-tarefa se fez representar por um promotor de justiça de São Paulo, que ali reside e compareceu com o restrito objetivo de receber o prêmio em nome da força-tarefa”, segundo o texto.

 

LEIA TAMBÉM:

Sem lesão, Nino Paraíba faz tratamento e segue como dúvida para encarar o Goiás

Notícias: Política

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar