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Crônica: o Barradão é melhor do que a Fonte Nova

por Marcus Curvelo no dia 13 de August de 2019 às 09:10
Foto: Reprodução

Dois torcedores brigam no estacionamento do Barradão.

- O Barradão está amaldiçoado! Deveríamos jogar na Fonte Nova!

- Você está maluco? Aqui é a nossa casa!

- Onde você mora?

- O que?

- Onde você mora?

- Eu moro aqui perto.

- Então está explicado!

Na entrada do estádio, um dos cavalos da polícia está enlouquecido. Ele gira e pula. Está louco. O policial lhe dá fortes tapas, mas o cavalo está possuído. Alguma coisa está acontecendo com o cavalo e penso que pode ter a ver com a tal maldição.

A minha capa de chuva cheira mal. Ela custou cinco reais. É uma daquelas capas descartáveis que vendem no estádio em dia de chuva. Estou reutilizando a capa de chuva descartável e não é a primeira vez. Ela foi comprada no Barradão há dois anos. Ou três. Não está rasgada, então por que não usar outra vez e depois mais outra vez? Mas ela cheira mal.

O jogo começa e estamos todos esperando pelo pior. Mesmo que saiamos na frente, podemos levar uma virada. Se sairmos perdendo, então, será quase impossível vencer.

Mas começo a beber e penso que esse é um novo dia. O cavalo lá fora já está calmo e hoje não vai chover.

Era esse o problema, eu estava vendo os jogos sóbrio.

Quando o Vitória está perdendo, e os funcionários do bar demonstram qualquer tipo de felicidade, os torcedores ficam com raiva.

- Vocês estão rindo do que? Vocês são Bahia?

Mas os atendentes estão tristes. E ainda assim um homem grita com eles.

– Vocês torcem para o Bahia? Vocês estão tristes!

Não sei se já estou bêbado, mas o Vitória joga bem. Que jogador é o Gedoz! E o Caicedo. É um bom jogador, esse rapaz. Levanto meu copo para ele.

- Que jogador é o Caicedo!

Uma mulher me repreende.

- Não é Caicedo! É Jordy! Vamos chamar ele de Jordy!

Ora, Caicedo é muito melhor. Vamos reverter a piada. Caicedo, o brocador.

E o primeiro gol é dele. Um chute cruzado potente. Eu já estava na segunda cerveja e não vi de quem foi o passe. Mas foi um belo gol.

O Vitória joga mesmo bem! Não é a cerveja! Nem o cheiro entorpecente da capa de chuva! Olhem como corre o Gedoz! E o Wesley! Como está tocando a bola! O Anselmo Ramon não é um grosso! Ele sabe sair da área e tocar a bola. Olha o Anselmo Ramon! Ele vai cruzar! Wesley! Gol do Wesley! Dois a zero no primeiro tempo! Eu não lembro há quanto tempo isso não acontecia! A zica acabou! A zica acabou! O Barradão é melhor do que a Fonte Nova!

Me olham como se eu fosse um louco. Um cavalo louco que berra e que pula.

 

*Marcus Curvelo é escritor, roteirista e diretor de cinema. Em 2015, publicou o livreto de contos “Homem Elipse e suas parábolas” através da Mostra Conto Salvador. Recebeu ainda inúmeros prêmios em festivais de cinema no país, incluindo 3 troféus candango no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro de 2017.

 

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