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Saúde & Bem Estar

Vacina contra o HIV vai ser testada no Brasil, afirma especialista

por Neison Cerqueira no dia 25 de July de 2019 às 10:30
Foto: Eliseo Fernandez

Durante a 10ª Conferência Mundial Científica sobre HIV (IAS 2019), realizada na Cidade do México, o infectologista e epidemiologista Jorge Sánchez afirmou que a vacina para prevenir o HIV e que serviria para que o próprio sistema imunológico produza anticorpos que atuem contra o vírus causador da aids, pode estar disponível em quatro anos.

Na declaração dada na última terça-feira (23), ele disse ainda que o imunizante será testado em oito países, entre eles o Brasil. 

De acordo com a Agência EFE, o vice-presidente do Centro de Pesquisas Tecnológicas, Biomédicas e Ambientais de Lima, no Peru, afirmou que a vacina pode ser eficaz para várias cepas do vírus. "A vacina tem insertos de várias partes que se assemelham a partes do vírus, portanto, a possibilidade de ser efetiva para diferentes cepas ou tipos de HIV é alta", explicou Sánchez.

A vacina levou 12 anos para ser desenvolvida e foi testada em macacos. Ao todo, foram realizados estudos nas fases I, IB e IIA, etapas feitas antes de avaliar a eficácia em seres humanos. Chamado Mosaico, o estudo contará com pesquisadores do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas, os Institutos Nacionais de Saúde, a rede de Testes de Vacinas contra o HIV e o Comando de Pesquisa e Desenvolvimento Médico do Exército dos Estados Unidos.

Ainda segundo a EFE, a pesquisa começará em setembro e será realizada com 3.800 pessoas de Brasil, Argentina, Itália, México, Peru, Polônia, Espanha e Estados Unidos, em 55 clínicas ao redor do mundo. Os participantes serão homens que têm relações sexuais com homens e pessoas transgênero. "Estamos motivados a desenvolver uma vacina efetiva contra o HIV em nível mundial para reduzir a trajetória das 1,5 milhão de novas infecções estimadas por HIV ao ano que estão ocorrendo", afirmou Larry Corey M.D., pesquisador principal da organização HIV Vaccine Trials Network, virologista e membro da Faculdade do Centro de Pesquisa Oncológica Fred Hutchinson, em Seattle.

Como vai funcionar

Metade dos pacientes receberá um placebo e a outra metade a vacina dividida em quatro doses que contêm o adenovírus sorotipo 26, que fornecem antígenos contra o HIV. Esses antígenos servirão para ativar a resposta imunológica do indivíduo em relação ao vírus. "Não é o vírus como tal, são pedaços de vírus modificados que identificarão o HIV e o combaterão para que não chegue a lugar algum do corpo", explicou Sánchez.

Ele afirmou ainda que a vacina já foi testada em alguns centros em fases prévias "e teve resultados sem maiores efeitos indesejáveis". O especialista afirmou que a vacina será uma ferramenta a mais para prevenir o HIV, e não substituirá outros métodos. "Existem várias ferramentas para prevenir o HIV. Temos a camisinha há décadas, mas na implementação não é usada de maneira suficiente, e esta vacina seria uma ferramenta adicional", comentou.

A farmacêutica Janssen patrocina e éa responsável pelo estudo e desenvolvimento da vacina. Embora a expectativa seja de resultados claros sobre a sua eficácia em quatro anos, ainda não há uma previsão de quando a vacina chegará ao público em geral, diz a EFE.

 

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