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Primo de Moa do Katendê, ferido em ataque, fala pela primeira vez sobre o trauma: 'Cena fica na cabeça'

por Redação Radar da Bahia no dia 08 de November de 2018 às 08:45
Foto: Reprodução / TV Bahia

"Não tem como esquecer. Todo os dias eu penso, lembro daquela cena horrível. Tem dias que não consigo dormir". Esse é o sentimento de Germínio do Amor Divino Pereira, de 51 anos, sobre o momento em que o primo dele, o mestre de capoeira Moa do Katendê, 63 anos, foi morto dentro de um bar, em Salvador, por conta de uma discussão política. Ele falou ao portal G1 pela primeira vez após a morte do capoeirista.

"Quando menos espero, vem na minha mente aquele momento. Estávamos conversando sobre projetos, e aí veio aquele homem por trás e atacou Moa. Essa cena fica o tempo todo na minha cabeça", disse Germínio.

O crime foi na madrugada do dia 8 de outubro, após o primeiro turno das eleições 2018. Na ocasião, Germínio tentou defender Moa e foi esfaqueado no braço por Paulo Sérgio Ferreira de Santana, de 36 anos. Paulo está preso pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e impossibilidade de defesa da vítima, além de tentativa de homicídio.

Moa foi esfaqueado após dizer a Paulo Sérgio Ferreira que era contra Jair Bolsonaro (PSL), na época candidato à Presidência da República, e que tinha votado no PT.

Cobrador de ônibus há sete anos, Germínio está afastado do trabalho desde o dia do crime. Ele contou que a facada atingiu o tendão e, com isso, perdeu o movimento dos dedos da mão direita. Diante do problema, precisou ser afastado.

Germínio também lembrou ainda que Moa estava cheio de planos quando foi morto. Inclusive, no dia do crime, eles conversavam sobre os projetos voltados ao bloco Afoxé Badauê, fundado por Moa."Ele falava de projetos do bloco Badauê, que vai fazer 45 anos. A ideia dele era começar a fazer eventos para planejar o desfile do bloco no carnaval. Ele também estava construindo o Centro Cultural que ia atender jovens aqui da comunidade [do Dique do Tororó]".

 

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