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Eleições 2018

“Choro de perdedores”, diz General Mourão sobre questionamentos de artistas acerca do futuro da democracia no Brasil

por Paulo Araújo no dia 30 de October de 2018 às 10:47
Foto: Reprodução

O vice-presidente eleito, General Hamilton Mourão afirmou em entrevista à BBC Brasil que manifestações de artistas e intelectuais que alegam preocupação sobre o futuro da democracia no Brasil, é “choro de perdedores”. Mourão ainda falou sobre privatizações e como pretende atuar na vice-presidência.

BBC News Brasil - Houve uma série de manifestações em jornais estrangeiros e também de alguns artistas demonstrando preocupação com o futuro da democracia no Brasil. O que o sr. diz em relação a isso?

Mourão - Eu acho que isso é choro de perdedores. Esse grupo que esteve no poder por tanto tempo não admite um dos princípios básicos da democracia que se chama alternância de poder. Então, ele não pode querer nos criticar como sendo antidemocratas.

E prestam um desserviço à nação no momento em que buscam com seus contatos internacionais apresentar o presidente Bolsonaro como um homem antidemocrata, com todos esses pejorativos que foram colocados.

Acho que muito em breve nós teremos que ir ao exterior e mostrar quem nós somos.

 

Sobre o papel de vice, Mourão afirmou: “Quando o presidente Bolsonaro me convidou para ser o vice, ele me disse que eu teria outras tarefas, foi bem no começo da nossa campanha. Ao longo desse período, nós fomos afinando o nosso discurso.

Eu vejo que sou um assessor privilegiado. Privilegiado porque fui eleito junto com ele. Os demais assessores que forem escalados podem ser mandados embora a qualquer momento. Eu permaneço. Nós somos irmãos siameses.

Então, a minha visão é cooperar em tudo aquilo que ele julgar necessário dentro do meu conhecimento, da minha expertise. Se pudermos coordenar alguns trabalhos, projetos que ele julgue necessário, eu estarei pronto pra isso.

Vou ocupar a área que a vice-presidência tem, que acho mais coerente, e estarei ali sempre próximo dele e irei apoiá-lo em todas as suas decisões.”

 

Confira outros trechos da entrevista:

 

BBC News Brasil - Tanto o senhor quanto o presidente eleito já falaram de uma aproximação com os EUA. Isso não esfriaria o relacionamento com a China, que é um parceiro comercial quase tão importante?

Mourão - Não. Nós temos que saber balancear. O Brasil tem que se apresentar como um "global partner", um "global trader", e não como um mero vendedor de quinquilharias.

Nós temos que ter esse relacionamento buscando não só o relacionamento comercial mas, principalmente, o relacionamento estratégico com ambos os países, cada um com suas características.

 

BBC News Brasil - O presidente fez um discurso antes da eleição dizendo que pretendia ver ou poderia ver Fernando Haddad na cadeia em Curitiba. Também houve menções a "varrer os vermelhos" e outras coisas nessa linha. As coisas vão continuar nesse nível de tensão? O presidente tem algum motivo para falar de Fernando Haddad na cadeia?

Mourão - O presidente foi muito claro no discurso que ele fez ontem na rede aberta de televisão, foi um discurso de estadista colocando todas aquelas ideias que vão nortear a administração dele, principalmente a forma como ele enxerga o futuro do país e a própria pacificação do país. Ele foi muito claro nisso.

Em relação ao caso do Fernando Haddad estar na cadeia ou não, ele responde aí a uns trinta processos, mais ou menos. Se comprovarem que sejam verdadeiros, ou provarem realmente alguma culpa dele, ele terá que pagar. Mas, por enquanto, ele está apenas respondendo aos processos.

 

BBC News Brasil - Sobre pacificação: alguns aliados falam em "kit gay" e outras coisas que já foram muito criticadas. Isso vai continuar? Essa pressão em redes sociais em relação à comunidade LGBT, por exemplo...

Mourão - Na realidade, o que houve foi um projeto ideológico levado às escolas e você não pode querer ultrapassar os limites que a família estabelece dentro do seu lar. A forma como você educa seus filhos é uma prerrogativa...

Isso aqui não é um Estado totalitário. Na antiga União Soviética, os filhos eram retirados dos pais e eram educados pelo Estado, assim como em outros países que viveram sob esse regime. Então, a escola precisa saber dos limites e o nosso Ministério da Educação, em determinado momento, não entendeu isso.

 

BBC News Brasil - Mas no momento em que esse combate ao que vocês classificam como doutrinação na escola extrapola para, por exemplo, ameaças a homossexuais nas ruas isso não acende uma luz vermelha?

Mourão - Eu não vejo ameaça. Eu ando nas ruas e vejo casais homossexuais andando de mãos dadas tranquilamente, sem problema nenhum, tenho amigos que assim são.

Essa é uma questão de escolha de vida. Apenas ninguém deve procurar impor seu modo de vida aos outros. Viva sua vida, aquela velha frase, "viva e deixe viver".

 

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