publicidade

Saúde & Bem Estar

Estudo inédito liga 12% das mortes por câncer de mama à falta de atividades físicas

por Redação Radar da Bahia no dia 19 de October de 2018 às 09:07
Foto: Reprodução

O Ministério da Saúde apresenta nesta sexta-feira (19), um estudo inédito no país que indica que cerca de 12% das mortes de mulheres por câncer de mama poderiam ser evitadas pela prática regular de atividade física (150 minutos por semana). A pesquisa ainda liga outros hábitos à ampliação do risco, como o uso abusivo de álcool e dietas com excesso de açúcar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os dados foram divulgados no artigo científico Mortality and years of life lost due to breast cancer attributable to physical inactivity in the Brazilian female population (1990-2015), publicado online pela revista Nature neste ano. O levantamento de informações teve apoio do governo brasileiro e concluiu que 2 075 mortes poderiam ter sido evitadas, apenas no ano de 2015, se as pacientes realizassem ao menos uma caminhada de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana.

Segundo o estudo, com apoio do Instituto de Métricas de Washington (EUA) e recursos da Fundação Bill & Melinda Gates, a atividade física diminui o estradiol e aumenta a globulina de ligação. Nesse processo, há redução de situações inflamatórias. "Atividade consome hormônios que sobrecarregam as glândulas mamárias", explica Fatima Marinho, diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. Ela é uma das autoras, ao lado de Diego Augusto Santos Silva, Mark Stephen Tremblay, Maximiliano Ribeiro Guerra, Meghan Mooney, Mohsen Naghavi e Deborah Carvalho Malta.

O problema é maior nas principais capitais e afeta duas em cada três mulheres. Ali, 13,9% delas admitem ser totalmente sedentárias, segundo a pesquisa governamental Vigitel 2017. E 51,3% praticam atividade física insuficiente - ou seja, não alcançam os 150 minutos semanais de atividades de intensidade moderada ou 75 minutos semanais de atividades de intensidade vigorosa. "Trata-se de uma questão evolutiva. Nos primórdios, correr, andar muito, era uma questão de sobrevivência. Hoje, para onde se vai, se senta. É um risco que fica bem claro", diz a pesquisadora.

Estados brasileiros com melhores indicadores socioeconômicos apresentaram as maiores taxas de óbitos de câncer de mama atribuível à inatividade física - pela ordem, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. "Apesar de não aparecerem na lista, o Norte e o Nordeste também estão passando por uma transição de mortalidade, ou seja, aumentando o número de óbitos por doenças crônicas", afirma a diretora do Ministério da Saúde. "Na Amazônia, por exemplo, observamos que as pessoas estão deixando de comer açaí e mandioca no café da manhã, trocando por pão branco. Produtos industrializados estão tomando o lugar do peixe", exemplifica Fátima.

O trabalho ainda indica que outros 6,5% de mortes poderiam ser evitados com controle de peso, dieta reduzida em açúcares e controle do consumo de álcool. Ainda faltaria, como aponta Mantovani, investigar melhor as correlações entre os demais fatores de risco. O estudo ainda não leva em consideração os diferentes tipos de tumor e as possibilidades de tratamento. 

 

LEIA TAMBÉM:

Moradores acham tartaruga morta na praia de Boa Viagem

Notícias: Saúde & Bem Estar

publicidade

publicidade

© Copyright 2018 - Radar da Bahia - Grupo Radar